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11/07/17

Rock and Roll: mais do que música, um estilo de vida

Em seu livro, Irapuan Peixoto analisa as relações formadas em torno do rock (Foto: Tuno Vieira/Diário do Nordeste)

Ser rock and roll é muito mais do que ouvir música. É estilo de vida, atitude, comportamento.  Reunir os amigos pra falar de rock também é ser rockeiro. E toda essa mobilização é o objeto de estudo do professor e pesquisador Irapuan Peixoto Lima Filho. Em sua tese Em tudo o que faço, eu procuro ser muito rock and roll: rock, estilo de vida e rebeldia em Fortaleza-CE (2010), ele analisa as redes sociais formadas pelos jovens em torno do rock na capital cearense.

Segundo o pesquisador, rebeldia e resistência são traços do rock que ficam evidentes na comparação com outros gêneros na capital, principalmente o forró. Para ele, exemplos disso são os festivais de rock nas periferias, que sobrevivem a despeito de uma vasta estrutura sócio-cultural que privilegia o forró. "Você vê que as rádios, os shows, todo o entretenimento ‘oficial’ é voltado para o forró. Onde tem dinheiro pra fazer festa, é com o forró. Então, você estar na periferia fazendo este tipo de movimento de rock é, de fato, uma resistência”, afirma.

A formação dessa rede em torno do rock ajuda a difundir a música tanto na esfera local quanto nacional. O professor ressalta o trabalho das associações que organizam eventos para disseminar a música e gerar visibilidade à cena local. O Forcaos, promovido desde a década de 1990 pela Associação Cultural Cearense de Rock (ACR), é um desses festivais que, além de gerar o intercâmbio entre artistas, ajuda a projetar a música cearense para o cenário nacional. Bandas como Selvagens à Procura de Lei e Cidadão Instigado são resultados dessa rede.

Sete anos após a publicação do seu trabalho, o pesquisador aponta que a rede rockeira vem se desenvolvendo ainda mais, inclusive na periferia, onde o rock é muito forte. Ele reforça que a sociabilidade presente nessa rede não se resume apenas à produção e consumo da música, mas também à formação social desses jovens.

Mestre e Doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Irapuan Peixoto Lima Filho é professor do Departamento de Ciências Sociais da mesma universidade. Sua tese foi publicada como livro no ano de 2013, pela editora da UFC.

Confira a entrevista* em duas partes:

*Entrevista concedida no dia 4 de julho de 2017, nos estúdios da Rádio Universitária FM

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