17/06/21

Agência UFC: Novo Cangaço se expande pelo País

Em entrevista à Agência UFC, a estudiosa Jania Pera Diógenes explica que os velhos bandos de cangaceiros agora se organizam em quadrilhas interestaduais em ações audaciosas marcadas por uma postura afrontosa (Foto: Benjamin Abrahão Botto/Acervo IMS)

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O cangaço não é coisa do passado. Da primeira metade do século XX à era dos bancos, essa prática passou de uma resistência camponesa para uma busca de ascensão social por meio do crime. É o que aponta um estudo da UFC de autoria da professora Jania Perla Diógenes de Aquino, do Departamento de Ciências Sociais. O fenômeno, chamado de novo cangaço, se expandiu por todo o País unindo antigas práticas da bandidagem à profissionalização do crime, explica a pesquisadora que é integrante do LEV, Laboratório de Estudos da Violência da UFC.

Em entrevista à Agência UFC, a estudiosa explica que os velhos bandos de cangaceiros agora se organizam em quadrilhas interestaduais em ações audaciosas marcadas por uma postura afrontosa. Os alvos dos ataques são os bancos de cidades pequenas e médias do Interior brasileiro, que a partir de meados dos anos 2000 costumavam ser totalmente sitiadas. Hoje, esse tipo de ação barulhento e repentino segue em cidades onde houve aumento do poder aquisitivo da população, mas o efetivo e o preparo policial e os equipamentos de segurança pública são aquém daqueles encontrados nas regiões metropolitanas das grandes cidades.

Parte dessas informações está no artigo Violência e performance no chamado ‘novo cangaço’: cidades sitiadas, uso de explosivos e ataques a polícias em assaltos contra bancos no Brasil, publicado no periódico científico Dilemas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O estudo é fruto de mais de 20 anos de pesquisa desenvolvida pela professora Jania sobre assaltos a bancos. Ao longo desse tempo, ela entrevistou quase 60 assaltantes, além de policiais e delegados da Polícia Civil e agentes da Polícia Federal para entender o perfil dessas atuações criminosas.

Apesar do estardalhaço e da violência física desses assaltos, é comum que as investidas sejam bem-sucedidas tanto em relação aos valores roubados quanto à fuga dos envolvidos. Chama atenção que cada integrante do grupo tem uma função específica, de acordo com a especialidade deles. Há “soldados”, “arrombadores”, “motoristas”, “explosivistas” e outros “especialistas”. A pesquisadora aponta ainda que teriam sido montadas fábricas clandestinas de explosivos no Nordeste com clientes em todas as regiões do País. Algumas quadrilhas contratam agentes ou ex-agentes das Forças Armadas para darem treinamento sobre o manuseio do material aos bandidos.

Com informações da Agência UFC, Síria Mapurunga para a Rádio Universitária FM

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