25/06/21

Aldeia Indígena Mundo Novo não registra casos de covid-19

Teka Potyguara junto aos Guardiões da Fronteira na entrada da aldeia Mundo Novo (Foto: Arquivo Pessoal)

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Cerca de três meses separaram o momento do anúncio de uma nova doença contagiosa descoberta na China dos primeiros casos identificados no Brasil. A Covid-19 se espalhou com muita rapidez por todos os recantos do mundo. Mas depois de mais de um ano do alerta global da Organização Mundial da Saúde de que vivíamos uma pandemia, ainda há um lugar onde o vírus não conseguiu chegar.

É a aldeia indígena Mundo Novo, no sertão central cearense, a 18 km da cidade de Monsenhor Tabosa. Ela é uma das 38 aldeias do Território Indígena da Serra das Matas, que se encontra em processo de demarcação desde 2005. Neste território vivem os povos das etnias Potyguara, Tabajara, Gavião e Tubiba-Tapuya. Ao todo são cerca de 4 mil indígenas. Em Mundo Novo vivem 35 famílias Potyguaras, uma população de aproximadamente 200 pessoas.

Teka Potyguara é uma delas, liderança do movimento Potygatapuia e diretora da escola Povo Caceteiro. Teka explica como Mundo Novo está conseguindo se proteger da Covid durante todo esse tempo:

"Nós temos 17 homens, que tem o nome de Guardiões da Fronteira, e eles fazem o rodízio. Todo dia vão dois ou três, de seis da manhã às seis da tarde. (...) Graças ao nosso pai Tupã que até hoje nunca teve um caso de Covi-19 aqui. Mas também a gente continua usando máscara, mesmo aqui dentro, continua mantendo afastamento, e também [tendo] muito cuidado com as mãos, [usando] álcool em gel ou mesmo água com sabão. Então, isso é o que vem sustentando a nossa situação."

A barreira sanitária mantida pelos Guardiões da Fronteira é uma medida simples que tem tido resultado concreto no enfrentamento à pandemia. Ela foi instalada no dia 6 de maio de 2020, logo após a doença deixar uma vítima entre seus parentes de Serra das Matas.

Naquele momento, havia pouca informação e muito receio. Diante disso, os Potyguaras de Mundo Novo não tiveram dúvidas sobre tomar rapidamente uma iniciativa para proteger a comunidade.

"Nós aqui somos uma aldeia que nem todo mundo sai muito. E com isso a nossa imunidade é baixa. Por conta disso, nós dissemos: “Se um pegar aqui, todo mundo vai pegar. Então é melhor ninguém pegar. Vamos fechar as fronteiras e não deixar ninguém entrar.”

Toda a população acima de 18 anos já foi vacinada, mas os indígenas de Mundo Novo seguem mantendo os cuidados e não tem previsão para desfazer a barreira. Eles estão atentos aos casos de Covid no entorno da aldeia e na sede dos municípios vizinhos, e às variantes, que podem ainda representar riscos.

Recentemente propuseram ao prefeito de Monsenhor Tabosa e a Secretaria Especial de Saúde Indígena que a vacinação da população entre 12 e 18 anos seja garantida, possibilitando, assim, que uma pesquisa sobre a imunização seja realizada na comunidade, aos moldes do que foi feito na cidade de Serrana, em São Paulo, pelo Instituto Butantan.

Raquel Dantas para a Rádio Universitária FM.

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