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13/12/19

Veganismo: alternativa saudável, ética e sustentável

A dieta vegetariana favorece a prevenção de doenças crônicas e degenerativas (Foto: ShutterStock/Reprodução)

Buscar uma alimentação mais saudável, sustentável e ética vem se mostrando uma tendência para parte da população mundial. Seja pela necessidade de alteração de hábitos alimentares e de consumo, por respeito aos animais ou por preocupação com a alarmante situação ambiental do planeta, o estilo de vida vegano e a dieta vegetariana ganham mais adeptos a cada dia.

Saiba mais sobre veganismo e vegetarianismo.

De acordo com um levantamento realizado pelo Ibope Inteligência em 2018, 14% da população brasileira se declara vegetariana. Esse número representa um crescimento de 75% em relação à última pesquisa realizada pelo instituto, em 2012.

O veganismo tem como base central a ideia de que todos os animais possuem direitos e que devem ser respeitados. A alimentação e o consumo com base na exploração de animais não-humanos são comuns em nossa sociedade. Esse padrão perpassa questões econômicas, comerciais e sociais, e se baseia na premissa de que os animais estão ao nosso dispor para serem explorados.

O conceito de especismo é central na relação de exploração animal em que vivemos, como explica George Guimarães, nutricionista e presidente da ONG VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade:

"O especismo seria então essa discriminação ou uma menor atribuição de direitos com base na espécie em que aquele indivíduo nasceu. Então dentro do especismo, uma vaca tem menos direitos simplesmente porque é uma vaca ou, pra gente poder aplicar isso a diferentes espécies, um pássaro pode ser colocado em uma gaiola, um animal pode ser morto pra retirada da sua pele. Então essa dificuldade dos membros da espécie humana de conseguirem olhar pra membros de outras espécies, pros animais não-humanos, como também detentores de direitos, especialmente a integridade física, a liberdade e a vida."

No Brasil, cerca de 10 mil animais são mortos a cada minuto para a alimentação humana (Foto: Synegog/Reprodução)

No Brasil, cerca de 10 mil animais são mortos a cada minuto para a alimentação humana (Foto: Synegog/Reprodução)

Os benefícios à saúde trazidos pelo não consumo de produtos animais também motivam a adoção do veganismo como estilo de vida.  A médica, nutróloga e presidente da Associação Brasileira dos Médicos Vegetarianos Fernanda de Luca elenca alguns dos principais riscos à saúde ocasionados pelo consumo de carnes vermelhas, carnes processadas e laticínios:

"É o hambúrguer, é o salaminho, é a mortadela, é o presunto. Essas carnes aumentam em 18% o risco da pessoa desenvolver câncer de intestino. O ideal de consumo de carne vermelha processada por dia seria 50g. Agora eu falo para você: 50g são duas fatias de presunto. Com relação às carnes vermelhas, aí a gente vai falar do bife, do porco, também estão relacionadas ao câncer, principalmente câncer de intestino. Os laticínios têm íntima relação com o câncer de mama, de ovário e próstata. Têm vários estudos mostrando. Sem falar que o consumo de leite e derivados também é muito prejudicial ao trato respiratório. A gente tem na principal proteína do leite, que é a caseína, uma proteína muito inflamatória e vai provocar a produção de muco, muito muco."

 A médica Fernanda de Luca desmente ainda alguns dos principais mitos relacionados à adoção de uma dieta vegetariana:

"A gente tem a ideia de que proteína é sinônimo de carne, e aí se a pessoa não come carne, porque o vegetariano não come nenhum tipo de carne, como é que ele vai suprir a necessidade do corpo, do organismo, de proteína. Só que a gente não tem só proteínas animais, a gente tem também as proteínas vegetais. Inclusive as leguminosas têm um percentual maior de proteína do que muitos alimentos de origem animal. Isso é muito pouco difundido, também por interesses, porque a gente sabe que existe hoje uma indústria de carne e de laticínios que é muito forte e que não está nem um pouco interessada em difundir que você pode obter suas proteínas de outros alimentos. Sem falar que a alimentação vegetariana é muito mais barata do que comer carne. O que você acha que sai mais caro: ir à feira ou ir ao açougue? É só fazer uma conta: quanto custa um quilo de carne? Quanto custa um quilo de feijão?"

O veganismo se apresenta como uma alternativa de consumo mais consciente e de menor impacto ambiental (Foto: Sociedade Vegetariana Brasileira/Reprodução)

O veganismo se apresenta como uma alternativa de consumo mais consciente e de menor impacto ambiental (Foto: Sociedade Vegetariana Brasileira/Reprodução)

Para além dos benefícios à saúde, o veganismo também se apresenta como uma alternativa mais sustentável para o planeta, o que, no cenário ambiental alarmante em que vivemos hoje, tem motivado cada vez mais a adoção desse estilo de vida. É o que explica George Guimarãespresidente da ONG VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade:

"O veganismo vem como uma solução pra diminuir o impacto ambiental na medida que, ao eliminar os produtos de origem animal da dieta, a gente passa a consumir mais baixo na cadeia alimentar. Os produtos de origem animal requerem muito mais terras e muito mais custos. As Organização das Nações Unidas, por exemplo, em um relatório, coloca que o principal fator de emissão de gases de efeito estufa é a pecuária, mais do que transportes. Então, se a gente somar todas as emissões por combustível fóssil relacionado a transportes e colocar do outro lado da balança os produtos de origem animal, a gente tem um peso muito maior, um impacto muito maior nessa produção. Se a pessoa tiver que escolher entre andar de bicicleta ou mudar a dieta pra reduzir a emissão de gases de efeito estufa, mudar a dieta tem mais impacto."

Para quem deseja aderir a uma dieta vegetariana ou ao estilo de vida vegano, especialistas recomendam começar aos poucos, reduzindo o consumo de produtos de origem animal gradualmente. Iniciativas como a campanha Segunda Sem Carne se baseiam exatamente nessa redução gradativa, convidando as pessoas a não consumirem o alimento em pelo menos um dia da semana.

Reportagem de Caroline Rocha com orientação de Carolina Areal e Igor Vieira

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