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30/10/17

Veganismo: uma vida sem exploração animal

O veganismo defende o fim da exploração animal para comida ou qualquer outro fim (Foto: Mercy For Animals)

Algumas pessoas acreditam que não conseguem viver sem seus alimentos favoritos, sejam eles bifes mal-passados, ovos mexidos ou um simples copo de leite toda manhã. Outras pessoas gostam de estar por dentro das tendências da moda, e não veem problema com carteiras de couro ou casacos de pele. Mas outras pessoas têm uma perspectiva diferente, pautada menos pelo gosto e mais pela ética. Estes são os veganos.

Neste dia 1º de Novembro, Dia Mundial do Veganismo, o termo “vegano” completa 73 anos com o aniversário de fundação da Vegan Society, uma ONG inglesa que foi o primeiro grupo declaradamente vegano do mundo. A Vegan Society define o veganismo como “um jeito de viver que busca excluir, até onde é possível e praticável, todas as formas de exploração de, e crueldade com, animais, para comida, vestimenta ou qualquer outro propósito.”

E é exatamente essa percepção da crueldade com animais que motiva os veganos a adotarem esse estilo de vida. Letícia Nacle, estudante de Medicina e vegana há três anos, fala que se voltou para o veganismo "quando eu comecei a ver que o que estava no meu prato antes tinha sido uma vida. Comecei a relacionar o que eu comia com o que acontecia antes dessa comida chegar no meu prato, e aí eu vi que não queria mais fazer parte disso.”

Letícia adotou o veganismo em 2014 por questões éticas (Foto: Letícia Nacle/Instagram)

Letícia adotou o veganismo em 2014 por questões éticas (Foto: Letícia Nacle/Instagram)

A história de Letícia não é única. Nos 73 anos desde a fundação da Vegan Society, o veganismo cresceu bastante ao redor do mundo. De acordo com pesquisa de 2015 do grupo americano Vegetarian Research Group, 0,5% da população dos Estados Unidos é vegana, o que corresponde a 1,6 milhão de pessoas.

Não há pesquisas tão precisas sobre o veganismo no Brasil, mas uma pesquisa do Ibope de 2012 apontou que 8% da população brasileira (16 milhões de pessoas) é vegetariana. O mesmo estudo afirma que Fortaleza é, em termos proporcionais, a capital mais vegetariana do país, com 14% da população sendo vegetariana.

Estilo de vida além da alimentação

A diferença entre vegetarianismo e veganismo é relativamente simples: os vegetarianos não comem carne de nenhum animal, mas alguns vegetarianos, os chamados ovolactovegetarianos, comem alimentos derivados de animais, como ovos e laticínios. Outros vegetarianos, os chamados vegetarianos estritos, não comem nenhum alimento de origem animal. Os veganos vão um passo além dos vegetarianos estritos, não consumindo nenhum produto criado com exploração animal, sejam eles vestimentas, cosméticos, ou quaisquer outros produtos.

Algumas pessoas acreditam que as dietas vegetarianas e veganas possuem grandes malefícios para o corpo, pois as proteínas típicas de alimentos de origem animal seriam essenciais para qualquer dieta saudável. Mas em entrevista concedida para a Revista da Educação, em 09 de julho de 2017, a nutricionista vegana Sara Ortins afirma que "a grande verdade é que as pessoas que consomem carne consomem mais proteína, sobrecarregando mais a função renal do que deveriam, do que o nosso corpo suporta."

Espaço em Fortaleza do Cativa Natureza, loja de cosméticos veganos (Foto: Reprodução/Internet)

Letícia afirma que seu percurso até o veganismo passou por muitas dessas categorias. “Eu comecei como ovolactovegetariana, e pra mim o mais difícil foi largar o queijo. Mas a partir do momento que você torna isso uma questão ética, e não uma questão de dieta, fica muito mais fácil.” Depois de chegar à alimentação vegetariana estrita, Letícia viu “que a exploração animal está além do que está no nosso prato. Está nos produtos que fazem testes em animais, está na roupa que a gente veste”. Foi isso que a motivou a virar vegana de fato.

Um fator que acaba sendo muito importante para as pessoas veganas é a necessidade de ter acesso a produtos que não fazem essa exploração animal. É esse nicho de mercado que é ocupado por estabelecimentos como o Cativa Natureza, loja de cosméticos “orgânicos, naturais e veganos” que está em Fortaleza desde 2014.

Tayene Parente, sócia da franquia da loja em Fortaleza, afirma que a projeção era que o público consumidor da marca seria “pessoas que tiveram alguma doença e precisavam evitar os produtos químicos no seu dia a dia”. Porém, muitos dos consumidores acabaram sendo veganos, que buscam cosméticos que não são testados em animais.

Crescimento do veganismo

Apesar da importância dos produtos veganos não-alimentícios para o estilo de vida, também vale lembrar o papel dos alimentos para a expansão que o veganismo está tendo. Um exemplo é a trajetória do Bike Vegan, delivery de comida vegana ativo em Fortaleza desde 2013.

As pizzas veganas são um dos produtos mais populares do Bike Vegan (Foto: Divulgação)

As pizzas veganas são um dos produtos mais populares do Bike Vegan (Foto: Divulgação)

Bruno de Oliveira, sócio-proprietário do negócio, afirma que ele surgiu pequeno, vendendo lanches em shows “para veganos que a gente sabia que estariam lá, muitas vezes amigos nossos mesmo.” Porém, recentemente o público do Bike Vegan passou por certa mudança. “Agora mais gente pede por indicação, por curiosidade mesmo. Querem ter uma primeira experiência com uma comida vegana, querem ver como é”.

O aspecto alimentar do veganismo acaba sendo, para muitos, a parte mais atraente do movimento, por sua conexão com uma vida mais saudável. Estudos divulgados pela Vegan Society afirmam que uma alimentação com menos foco em carnes e alimentos derivados de animais estão relacionadas com melhor funcionamento dos rins e do trato intestinal, por exemplo.

A nutricionista Sara Ortins enfatiza a importância de fazer um acompanhamento nutricional aprofundado para abandonar a dieta carnívora, até para não representar mal o vegetarianismo e o veganismo: "a gente pega muitos pacientes nessa transição para o vegetarianismo que já vêm com carência de ferro, de zinco, de B12, e a gente precisa não acabar culpando o vegetarianismo por um erro da alimentação que qualquer pessoa pode ter. Hoje, a gente vê que as pessoas estão se tornando veganas e tendo saúde. As pessoas estão aí para provar que o veganismo é possível.”

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