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15/07/19

Os cuidados com a Alergia Alimentar

Uma pesquisa aponta que, se o pai e a mãe apresentam alergia, a probabilidade de terem filhos alérgicos é de 75% (Foto: Reprodução/Internet)

Urticária, dificuldade para respirar e inchaço. Esses são alguns dos sintomas de quem tem alergia alimentar. Estima-se que 8% das crianças tem algum tipo de reação alérgica ao ingerir determinados alimentos. 3% da população adulta também sofre com esse problema. Os dados são da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.

A alergia alimentar se caracteriza por uma reação do sistema imunológico, que é responsável por nos proteger de substâncias nocivas, como bactérias e toxinas. A reação alérgica acontece quando o nosso corpo entende que um alimento inofensivo, como ovo, leite ou frutos do mar, são perigosos e produz um tipo de substância pelo organismo, chamada de anticorpos imunoglobulina E (IgE).

A alergia pode ser facilmente confundida com intolerância. Entretanto, a intolerância a alimentos é mais frequente e menos grave. Vanesca Frota é nutricionista e professora do curso de engenharia de alimentos da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ela explica a diferença entre a alergia e intolerância:

"A intolerância é quando você ingere um alimento e o organismo não consegue promover a digestão adequada daquele alimento. Não entra produção de anticorpos, não entra produção de imunoglobulina E. Quando a gente fala em reação alérgica, aí entra a questão da proteína - a pessoa não consegue digerir a proteína - ela é absorvida e impacta no trato gastrointestinal e aí ocorre a produção de imunoglobulina E".

Alguns fatores podem colaborar para o surgimento de uma alergia alimentar. O principal deles é a predisposição genética, ou seja, históricos do caso na família. Uma pesquisa aponta que, se o pai e a mãe apresentam alergia, a probabilidade de terem filhos alérgicos é de 75%.

Em adultos, as alergias alimentares mais comuns são a frutos do mar (foto), amendoim e frutas secas (Foto: iStock/Getty Images)

Em adultos, as alergias alimentares mais comuns são a frutos do mar (foto), amendoim e frutas secas (Foto: iStock/Getty Images)

Bruna Caires sabe bem o que é ter que lidar com alergia alimentar. Ela é mãe da Giovana, de cinco anos, que tem alergia a ovo, mamão e outros alimentos. Estudando sobre o tema e usando as redes sociais, Bruna encontrou uma forma de  driblar os efeitos da alergia. Ela criou, em 2015, o grupo de discussão no Facebook Alergia a ovo e derivados, que atualmente conta com mais de 2 mil membros.

"Surgiu de uma necessidade pessoal. Nesse momento eu decidi criar o grupo pra realmente somar o número de mães que passavam por isso e para a gente trocar uma ideia", conta.

Bruna Caires comenta ainda que após a descoberta da alergia da filha, mesmo trabalhando há 12 anos no ramo de tecnologia, resolveu cursar a faculdade de Nutrição. Segundo ela, o grupo também ajudou outras mães e pais a encontrar um lugar para discutir o tema:

"A partir do momento que eu criei o grupo, me surgiu a necessidade de estar fazendo um estudo. Eu assim como outras mães que são chefes de cozinha inclusiva - na época que eu estava passando por muitos problemas era a Cecília do 'Põe no Rótulo' porque as crianças dela também eram alérgicas - todo mundo partiu do mesmo ponto. O grupo tem mães que entendem um pouco mais, tem médicos, nutricionistas e o fato de estar exposto às perguntas e às respostas, muitas vezes, [acaba que] uma pergunta responde a pergunta da outra mãe. Então são discussões que valem a pena estarem lá expostas para todo mundo ver".

Por ser mais comum em crianças com menos de três anos de idade, a alergia alimentar requer cuidado redobrado nesta faixa etária. A nutricionista Vanesca Frota aponta quais procedimentos são indicados:

"Recomenda-se aos pais que evitem ter esse tipo de alimento em casa, porque as vezes eles compram pra eles consumirem,  mas a gente sabe que criança pega a cadeira, sobe, mexe, coloca na boca. Fora de casa, [é necessário] ter cuidado onde vai, levar sempre o alimento. Os pais devem realmente estarem atentos nas preparações. Se a pessoa tem uma alergia muito grave a determinado tipo de alimento, tem que ter cuidado redobrado. Alguns andam até com antialérgico na bolsa para prevenir alguma reação que ocorra de imediato".

Os testes de alergia mais comuns são os que colocam algumas gotas das substâncias no antebraço do paciente (Foto: Reprodução/Internet)

Os testes de alergia mais comuns são os que colocam algumas gotas das substâncias no antebraço do paciente (Foto: Reprodução/Internet)

Apesar de ser recorrente em crianças, a alergia alimentar também afeta adultos. As queixas mais recorrentes nessa etapa da vida são de alergia a frutos do mar, amendoim e frutas secas. É o caso da jornalista Cinthia Freitas, que tem alergia a camarão e caranguejo:

"Eu só evito os alimentos. Hoje em dia eu até experimento uma vez ou outra o camarão, que é mais comum, mas em pouca quantidade, um ou dois. Não arrisco muito. Geralmente, quando eu vou comer sushi, eu sempre pergunto se tem camarão".  

Em casos mais graves, a alergia pode causar anafilaxia. Esse nome difícil é desencadeado pela liberação em grande quantidade de substâncias químicas que despertam uma reação alérgica aguda. É considerada grave e pode resultar em um colapso vascular, e até morte.

O diagnóstico da alergia pode ser feito através de algumas gotas da substância que se pensa causar alergia colocadas no antebraço do paciente, ou com um exame de sangue. Ainda não existe nenhum medicamento específico para prevenir a alergia alimentar. No entanto, com medicamentos para reduzir os sintomas e a exclusão do alimento na dieta, é possível conviver com ela.

Reportagem de Calianne Celedônio com orientação de Carol Areal, Thaís Aragão e Igor Vieira

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