16/06/17

A arte negra no Café com Letra

Ator, cineastra e teatrólogo Zózimo Bulbul (Foto: Reprodução/Internet).

Lembranças de escravo - Éle Semog
Sobre o mar um negro caminhou
para as terras do rei chegar
veio prisioneiro veio escravo
para nas terras do rei trabalhar
lhe bateram na cara lhe roubaram seus deuses
para melhor nas terras do rei trabalhar
lhe tomaram a honra e venderam seus filhos
e apertaram seus ovos e conferiram seus dentes
para nas terras do rei trabalhar

O Memória desta semana volta ao dia 6 de dezembro de 1982,  quando o programa Café com Letra tratou do panorama da arte negra do momento. Apresentado por Heloísa Buarque de Holanda e Charles Peixoto, o assunto foi discutido por três expoentes da literatura negra da época: o poeta e pesquisador Éle Semog; o sambista e jornalista Rubem Confete; e o ator, cineasta e teatrólogo Zózimo Bulbul.

Em um primeiro momento, o debate gira em torno das raízes históricas da arte negra. Os três convidados explicam que muitos poetas se perderam no tempo devido ao fato de que a cultura artística de descendência africana se mostra mais presente na oralidade do que na escrita. Isto indica a importância da palavra direta e sem arrodeios da literatura negra, mas ao mesmo tempo, revela as dificuldades da produção autoral de artistas negros devido a
problemáticas raciais.

A todo momento, os três convidados declamam poemas sobre a realidade racial do Brasil enquanto afirmam a marginalização que a arte negra sofre para ser produzida e veiculada. Para burlar essa segregação artística, muitos poetas negros furam os bloqueios das grandes editoras e buscam formas independentes de difundir seus trabalhos.

Para os artistas, a poesia negra é cantada para a pessoa negra com o intuito de criar um sentimento de identificação e empoderamento entre o povo de descendência africana. Um
verdadeiro grito de várias vozes em prol da liberdade.

Poeta e pesquisador Éle Semog (Foto: Divulgação/ Site Éle Semog)

Poeta e pesquisador Éle Semog (Foto: Reprodução/ Site Éle Semog).

Realidade racial do Brasil no século XXI

A cantora, percussionista e escritora Patrícia Matos faz um paralelo sobre o programa da década de 80 com a atual realidade racial do Brasil. "Há uma necessidade de se ir ao passado para entender nossas raízes. A arte negra brasileira teve início nas senzalas e nos quilombos, por isso é necessário que se lembre da história do povo negro para fortalecer nosso caminho", enfatiza.

Patrícia ainda afirma que artistas negros precisam ocupar os espaços da arte, que ainda são majoritariamente ocupados por brancos. "Desde a década de 80, conseguimos muitos avanços, entretanto, os retrocessos acontecem o tempo todo e é por isso
que a produção artística negra é tão necessária".

O programa Café com Letra, com o tema Panorama da Arte Negra do Momento, foi veiculado no dia 6 de dezembro de 1982,  com produção e apresentação de Heloísa Buarque de Holanda e Charles Peixoto.

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