Um pavilhão gigantesco. Paredes com pequenas janelas ao centro formam uma inesperada arena. Ao lado, adolescentes e crianças se espremem buscando um espacinho na frente de jogos eletrônicos. Um pouco antes, massagistas são solenemente ignorados pelo público jovem que prefere deitar-se em puffs gigantes e fazer poses para fotos tiradas com o celular. Essa é a Arena Cultural da 8ª Bienal Internacional do Livro. O local só não é mais improvável porque a programação não diretamente ligada à literatura tem tido maior ou igual destaque na Bienal.
Se no primeiro dia de evento a presença do público de qualquer idade era ainda escassa, agora é praticamente impossível ir a qualquer pavilhão sem dar de cara com um pequeno visitante. O uniforme com detalhes em vermelho, característicos dos estudantes da rede municipal de ensino, tornou-se quase o uniforme não-oficial do evento. Se a coordenação da Bienal desejava aumentar a participação de secundaristas, conseguiu com êxito. Só não podemos afirmar se o êxito tem sido o mesmo na formação dos estudantes que passam todos os dias pelo pavilhão destinado a eles. As palestras que acontecem na Arena Cultural são sempre feitas para um público escasso que prefere ficar conversando nos puffs, ver a projeção de um filme com péssima qualidade de imagem ou jogar vídeo game.
De qualquer forma, a presença massiva de jovens estudantes tem sido até agora o maior destaque dessa Bienal.