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03/05/18

Pesquisa da UFC reúne nomes populares de doenças

A pesquisa indica que termos como estalecido, pilora e defruço significam, respectivamente, rinite alérgica, desmaio e gripe (Foto: Reprodução/Internet)

Você sabe o que significa estalecido, pilora e defruço? Estas palavras, conhecidas por muitas pessoas, estão entre os mais de 400 termos coletados por uma pesquisa realizada pela professora Virgínia Bentes, do programa de pós-graduação em Ciência da Informação da UFC.

A pesquisa teve início no ano de 2014 e tem o objetivo de construir um vocabulário de nomes populares para as enfermidades, de forma a facilitar a comunicação entre médicos e pacientes.

Para José Gerardo Araújo, chefe de reumatologia do Hospital Universitário Walter Cantídio, essa relação pode realmente ser complicada.

“Esses termos populares podem causar uma certa confusão no médico na hora de entender o que eles significam, eu acho que isso é uma questão cultural. Obviamente que pra você ser um bom profissional, no caso do médico, você deve estar inserido na cultura.”

Para a realização do projeto foram feitos estudos com tribos indígenas do Ceará, entre elas, os Tremembés, os Tapebas e Pitaguaris. A professora Virgínia Bentes fala sobre as dificuldades que essas comunidades enfrentam ao se comunicar.

“Quando a gente foi pra comunidades indígenas, a gente viu essa dificuldade que a pessoa tem até de se expressar, porque quando a gente estava fazendo a pesquisa, sentia isso. Eles falavam, por exemplo, vista apagada, vista demorada, vista curta, vista escura, e muitos desses termos, pelo fato de que eu não sou do Ceará, eram coisas que eu não sabia muito o que era. Russara, por exemplo, eu não tinha ideia do que era, então como a gente não sabia, a gente também teve que ir para as fontes especializadas. Então nós consultamos vários dicionários especializados na área de termos populares aqui do Ceará.”

Segundo a professora, a pesquisa foi pensada como um instrumento prático para auxiliar no dia a dia de profissionais da área da saúde.

“A nossa intenção é que essa pesquisa possa ser colocada nos hospitais para que as pessoas, se tiverem dificuldade com alguma terminologia, se a pessoa tá falando russara e eles não sabem o que é, mas sabe pode correr lá e achar.”

Ao ser informado sobre o projeto da professora Virgínia Bentes, o médico José Gerardo reforçou a importância de iniciativas como essa, em especial para auxiliar médicos recém-formados.

“É do interesse do médico entender a linguagem do paciente. Um dicionário que faça um levantamento desses termos para o aluno de medicina, para o jovem médico, pode trazer informações extremamente importantes para melhorar essa comunicação e, por fim, a relação entre médico e paciente.”

A próxima etapa a ser alcançada pela pesquisa é a publicação nas plataformas digitais e, futuramente, a implementação de um banco de dados com os termos catalogados nos hospitais.

Reportagem de Maryana Lopes com orientação de Carolina Areal

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