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03/05/19

Literatura e cidade em pauta na 13ª edição da Bienal

Na 12ª edição da Bienal Internacional do Livro do Ceará, realizada em 2017, a organização registrou mais de 55 mil visitantes por dia durante o evento (Foto: Felipe Abud/Tribuna do Ceará)

As Cidades e Os Livros. Este vai ser o tema da décima terceira edição da Bienal Internacional do Livro do Ceará. O evento, realizado pela Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Ceará (Secult-CE), conta com mais de 60 escritores confirmados e homenageia três produções literárias de língua portuguesa: Terra Sonâmbula, do escritor moçambicano Mia Couto; Lavoura Arcaica, do paulista Raduan Nassar; e A Casa, da cearense Natércia Campos.

Inês Cardoso é uma das curadoras da Bienal Internacional do Livro. Ela comenta sobre a temática e as escolhas dessas obras para serem discutidas nesta edição:

"Terra Sonâmbula, em meio a sua obra, no que ela se reflete de maneira muito cabal, a essa experiência do lugar, da existência. Lavoura Arcaica fala também desse lugar de ser, dessa pequena geografia familiar e o que ela representa para a gente vida afora. E A Casa, de Natércia Campos, reflete essa casa que nos habita. A isso que a gente carrega dentro de si, que são as nossas experiências. São obras que tem um forte vínculo com o tema da Bienal".

Com mais de 60 escritores confirmados até o momento, a 13ª edição da Bienal Internacional do Livro do Ceará terá participações de escritores importantes no cenário nacional e internacional, tais como Maria Valéria Rezende e o angolano Eduardo Agualusa. Na imagem, em 2017, a Bienal contou com a participação da escritora e jornalista Eliane Brum (Foto: Chico Gadelha)

A 13ª edição da Bienal Internacional do Livro do Ceará terá participações de escritores importantes no cenário nacional e internacional, tais como Maria Valéria Rezende e o angolano José Eduardo Agualusa. Na imagem, em 2017, a Bienal contou com a participação da escritora e jornalista Eliane Brum (Foto: Chico Gadelha)

A Bienal Internacional do Livro também é um espaço para a promoção de atividades que buscam o crescimento do hábito de leitura. Uma dessas ações é a feira de livros, considerada uma das cinco principais do Brasil e que se destaca pela importância na movimentação financeira e na geração de empregos.

Outra atividade importante é a Bienal Fora da Bienal, que leva ações do evento a outros municípios e comunidades para democratizar o acesso ao livro. A Coordenadora de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas da Secult-CE, Goreth Albuquerque, destaca a exposição de obras técnicas e acadêmicas, além de outras atrações da Bienal:

"Nós temos, por exemplo, o Letra de Mulher, que vai falar desse universo literário produzido pela mulher, porque, historicamente, a gente tem aí um modelo em que prioritariamente homens é que publicavam. A gente tem também o sarau, os clubes de leitura e toda a cultura geek. Nós temos ainda, como uma programação que é uma novidade, a programação voltada para o livro técnico e acadêmico. Nós vamos pensar nisso através de uma programação que convida a pensar sobre grandes obras que foram marcos e mudaram um pouco a nossa história do nosso pensamento e contribuíram para pensar alguns paradigmas de um modo diferente".

Na Bienal deste ano, a organização pretende promover uma série de debates a respeito da relação das cidades com o âmbito literário. Questões como a origem das metrópoles, as minorias étnicas e as geografias pessoais serão abordadas por um grupo de escritores renomados, tais como Frei Betto, Daniel Munduruku e Eucanaã Ferraz.

Para explicar essa relação, Tércia Montenegro, professora do Departamento de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC) e uma das convidadas do evento, ressalta a importância de se falar sobre as cidades e a interação com as pessoas:

"A partir do momento em que a gente sedia uma Bienal do Livro é importante fazer essa territorialização. Dizer como é que a cidade dialoga com os livros e como é que os livros dialogam com a cidade. Então a presença desses autores e autoras aqui faz com que a cidade se transforme pela presença deles e também acho que eles serão transformados pela presença da cidade".

A Bienal de 2019 contará com uma programação extensa durante os dez dias de evento. Espaços para os clubes de leitura e para a divulgação de novos escritores serão algumas das novidades da 13ª edição (Foto: Reprodução/Internet)

A Bienal de 2019 contará com uma programação extensa durante os dez dias de evento. Espaços para os clubes de leitura e para a divulgação de novos escritores serão algumas das novidades da 13ª edição (Foto: Reprodução/Internet)

Outro aspecto importante da Bienal é a política do livro, com o incentivo à leitura, cultura e o surgimento de novos autores. O evento conta com momentos de participação da sociedade e discussões para ampliar a prática literária para todo o estado. Goreth Albuquerque destaca a política do livro e explica a importância da Bienal para a sua consolidação:

"A Bienal tem a preocupação de que esses eixos que fazem parte da política do livro e leitura estejam presentes. E como a gente busca organizar, do ponto de vista metodológico e do ponto de vista da programação, a Bienal, a gente quer cada vez mais atingir mais públicos. Então dessa vez é sair mais, levando ações da Bienal para outros territórios também".

Tércia Montenegro complementa e reforça o papel da Bienal na expansão da cultura cearense e na emancipação de novos escritores e amantes da literatura:

"Ela já é um evento que está no calendário afetivo de muitas pessoas. Mas ela também serve para abrir portas para as pessoas que estão iniciando,  que nunca foram a um evento desse tipo e que estão começando a se interessar por literatura. Então ao mesmo tempo em que ela é um evento de manutenção dessas paixões, desses afetos, ela é também um evento de trampolim, de início. Daí a grande importância dela para a cultura aqui da nossa cidade e fora mesmo da cidade".

A 13ª edição Bienal Internacional do Livro do Ceará tem programação gratuita e acontece de 16 a 25 de agosto no Centro de Eventos do Ceará. De acordo com a Secult-CE, o evento, que aconteceria em abril, foi adiado por conta da nova gestão no Governo do Estado e a possibilidade de um cronograma mais adequado para a importância do evento.

Reportagem de Pedro Silva com orientação de Caio Mota e Thaís Aragão.

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