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07/10/19

Criação do Colégio de Dança do Ceará completa 20 anos

Neste ano, a 12° Bienal Internacional de Dança do Ceará homenageia, entre outros acontecimentos, os 20 anos do Colégio de Dança do Ceará. (Foto: Clarissa Lambert/ Divulgação)

A coreografia conta histórias, emociona, te transporta para outras realidades. 20 anos atrás o Colégio de Dança do Ceará era fundado com o objetivo de provocar exatamente isso. O projeto surgiu durante a primeira edição da Bienal Internacional de Dança do Ceará, realizada em Fortaleza, e contou com uma grande mobilização dos artistas cearenses da época.

As ações deram resultado e em janeiro de 1999 o Colégio de Dança do Ceará iniciou o período letivo para aperfeiçoar e profissionalizar bailarinos. Professor de dança há mais 49 anos, Flávio Sampaio foi o primeiro diretor do Colégio. Ele conta os desafios que a iniciativa trouxe em sua carreira.

"Você se conectar bailarinos, você coordenar bailarinos foi uma grande experiência, porque naquela época, as pessoas que dançavam no Ceará eram muito distantes um do outro. Então assim, minha função maior no Colégio de Dança acho que foi juntar essas pessoas, foi agregar valores a essas pessoas que eram da dança".

O projeto ganhou forma a partir da  Secretaria de Cultura do Estado do Ceará e teve o apoio da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Além de trazer um projeto pedagógico organizado em módulos, contou com professores de todo Brasil e também de outros países, possibilitando as muitas formas de se perceber a dança.

A história do Colégio de Dança do Ceará parece se misturar com a de Fauller, um dos primeiros alunos da organização, hoje bailarino e coreógrafo. Ele menciona de que maneira ser aluno do Colégio de Dança do Ceará motivou o crescimento de sua trajetória.

"O Colégio foi um divisor de águas na minha vida. Acho que não só para minha vida mas de muitas pessoas que participaram, que passaram pelo colégio, e acredito que o Colégio também foi um divisor de água para a dança do Ceará. Acho que a gente pode pensar em uma dança antes e depois do Colégio de Dança de tão pertinente que foi aquela formação, que a dança aqui em Fortaleza criou um outro público, levou um outro público ao teatro, criou outras produções".

O Colégio de Dança do Ceará

O Colégio de Dança do Ceará é considerado o pontapé para outras formações em dança no estado (Foto: Divulgação/Internet)

A direção do projeto também passou pelas mãos de Ernesto Gadelha, bailarino, professor e atualmente membro da Secretaria de Cultura do Ceará. Ernesto fala sobre as outras formações que surgiram a partir do Colégio.

"Ele foi também a primeira iniciativa pública de formação em dança aqui no estado do Ceará. O Colégio de Dança é um ponto de inflexão no que diz respeito à política pública de formação em dança porque ele inaugura uma sequência de iniciativas que viriam a surgir depois. Hoje a gente tem o curso técnico em dança, tem os laboratórios do Porto Iracema, tem as graduações em dança da Universidade Federal do Ceará".

Neste ano, a 12° Bienal Internacional de Dança do Ceará homenageia, entre outros acontecimentos, os 20 anos do Colégio de Dança do Ceará. Na ocasião, companhias e bailarinos da Colômbia, Alemanha, Itália e de outras nacionalidades fazem parte das apresentações.

A programação do evento se distribui em espaços diversos de Fortaleza. O diretor do evento, Davi Linhares, afirma que a escolha de comemorar a fundação do Colégio de Dança do Ceará é lembrar do primeiro motor que lançou novos bailarinos ao mercado.

"Com o Colégio de Dança, que formava coreógrafos e bailarinos, foram novos coreógrafos que foram lançados na cidade e começaram esse movimento dentro do Theatro José de Alencar naquele período, que foi uma ação que fortaleceu muito a Bienal de Dança. Nós temos a comemoração dos 25 anos do Andanças também, da Cia. Balé Baião. Então quer dizer, a Bienal é esse marco de celebrações da dança cearense". 

O Colégio de Dança do Ceará durou quatro anos, entre 1999 e 2002. O impacto que ele trouxe para o cenário cultural da cidade certamente ainda permanece na lembrança de quem passou por ele e de quem, ainda hoje, recebe ensinamentos aprendidos por lá.

Reportagem de Calianne Celedônio com orientação de Carolina Areal e Igor Vieira

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