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30/08/18

A recepção de alunos estrangeiros pela UFC

A Pró-Reitoria de Relações Internacionais promove e coordena as relações da UFC com instituições estrangeiras de educação, ciência e cultura. Na foto estão Denise Costa (Curso de Enfermagem ) e Geiza Rita (Curso de Fisioterapia) representando São Tomé e Principe na UFC (Foto: UFC/Guilherme Braga)

A Universidade Federal do Ceará recebe anualmente estudantes estrangeiros de diversos cursos de graduação e pós-graduação para realização de intercâmbio. A Pró-Reitora de Relações Internacionais (PROINTER), é responsável por promover e coordenar as relações da Universidade com instituições de outros países. Desta forma, além de dar suporte às pessoas que participam de intercâmbio por programas específicos, o órgão facilita também a realização de intercâmbios livres. O coordenador de Mobilidade Acadêmica da PROINTER, Konrad Christoph Utz, explica como funciona esse processo:

“Nesse caso a gente pede certos documentos, pede pra ele preencher um formulário, tudo isso está online no nosso site, o aluno se informa, o aluno submete o que a gente pede e a gente recebe e encaminha para o curso onde o aluno queira cursar a disciplina, realizar seu estágio.”

Segundo dados de 2015 da PROINTER, os países que mais enviam estudantes para intercâmbio livre são Alemanha, França e Espanha. No entanto, também é bastante comum a vinda de estudantes de países do continente africano que falam a língua portuguesa. Como no caso do músico e ativista das causas da população negra, Andy Khamidi, que veio de Cabo Verde em 2007 para fazer o curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda na UFC. Ele revela que além da língua, uma questão foi importante na escolha do Brasil como o país de destino:

“A gente tem uma relação até de cumplicidade com o Brasil porque lá passa novela brasileira então a gente meio que já conhece um pouco o Brasil. Então mesmo que as novelas tratem o Brasil de maneira estigmatizada, mas já rola uma aproximação por isso”

Mas a chegada em um novo país pode ser bastante difícil para alunos estrangeiros. Por conta disso, foi criado há sete anos o Programa de Apoio ao Intercambista na UFC. O idealizador Italo Cavalcante dá detalhes das ações do programa:

“A gente faz a seleção dos padrinhos que são os estudantes da UFC que irão entrar em contato com os intercambistas antes mesmo da chegada deles aqui em Fortaleza. Vão estar no aeroporto no dia da chegada, vão buscar um moradia por eles na cidade, vão na Polícia Federal, na Receita Federal, tirar a documentação necessária, matrícula. E mostrar a cidade e como funciona a vida aqui em Fortaleza dando dicas de segurança, dicas de programas culturais, mostrar mesmo a Universidade. A maioria desses padrinhos estuda ou já estudaram inglês ou espanhol, então é uma oportunidade para eles colocarem em prática também esse idioma”  

O programa de Apoio ao Intercambista está atualmente em processo de institucionalização junto à Pró-Reitoria de Relações Internacionais e pode receber estudantes de qualquer curso da UFC em Fortaleza. Ações como essa viabilizam a presença e permanência de estudantes de outros países na Universidade, o que é benéfico para a construção da Instituição, como destaca Konrad Christoph Utz:

“Eles contribuem para a internacionalização da nossa universidade, essa meta nossa de tornar a UFC um lugar onde você vive em um ambiente internacional onde você sente que você faz parte de um mundo inteiro e não apenas de um país ou de uma região ou até de uma Universidade. Onde você pode trocar experiências com outras pessoas de outros países”.

alunos estrangeiros

Segundo dados de 2017, a Universidade Federal do Ceará possui acordo com mais de 125 universidades estrangeiras em 24 países (Foto: UFC / Guilherme Braga)

Mas apesar dessas possibilidades de suporte à vinda de alunos estrangeiros à UFC, em muitos casos, as experiências dessas pessoas estão ligadas ao enfrentamento diário de preconceito. O cabo-verdiano Andy Khamidi afirma que essa questão teve influência até em sua rotina na Universidade:

“Muitas vezes a gente se isolava, mas por questões de segurança. Nas mesas do RU (Restaurante Universitário) a gente só sentava juntos, só africanos, mais por questão de proteção e eu entendo perfeitamente. As outras pessoas achavam que a gente não queria ter contato, mas não é isso, eu gosto sempre de pontuar isso. Porque a gente chega em um local e é tratado de maneira hostil, é normal se isolar.”

E essa percepção de Andy se confirma em ações preconceituosas reproduzidas até hoje. Como nos bilhetes encontrados no Campus do Benfica em maio de 2018 com conteúdos racistas e xenofóbicos destinado à população africana que estuda na UFC. A repercussão do caso nas redes sociais levou à realização de um ato antirracista organizado pelos próprios estudantes da Universidade e resultou na reativação do Fórum de Negras e Negros da UFC.

Mesmo lidando com essas problemáticas, Andy, que desenvolve hoje um trabalho de discotecagem e como músico em bandas cearenses, encontrou no Brasil um novo lar:

“Eu decidi ficar no Brasil e eu digo que a gente tem que se prender às coisas positivas, os amigos e as coisas que nos fizeram crescer e eu devo muito ao Brasil nesse sentido”

Dessa forma, experiências como essa reforçam a necessidade da Universidade ser um ambiente de bem estar e aprendizado coletivo aos que estão, aos que vem e aos que ficam.

A Universidade Federal do Ceará divulgou uma nota de repúdio à manifestação de racismo e xenofobia que aconteceu no dia 11 de maio de 2018, no Centro de Humanidades.

Reportagem de Lucas D'paula com orientação de Carolina Areal.

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