No dia 30 de março de 1983, o apresentador Ricardo Guilherme recebeu o convidado Eusélio Oliveria no programa Opinião da Rádio Universitária FM.
Eusélio Oliveira, cineastra e crítico de cinema, que na época coordenava o Cinema de Arte Universitário da UFC (Casa Amarela) e os projetos Mascate e Espaço Cultural da Embrafilme, cumpriu um importante papel para a valorização da cultura e da memória cearense.
No programa Opinião, Eusélio fala sobre o papel do cinema na atividade cultural e da importância da academia para dar respaldo às essas atividades.
Eusélio Oliveira - fotografia teste
do filme "O delito de matar"
Em 1967, quando presidiu a 6ª Jornada Nacional de Cineclubes, realizada no Teatro José de Alencar, Eusélio propôs que o cinema fosse introduzido na univesidade. Ele conta que o trabalho, iniciado em 1971, foi bastante incompreendido pela comunidade acadêmica.
Eusélio comenta também sobre a diferença entre ação cultural e evento cultural, criticando a política de eventos como uma doença cívica. A crítica se estende para a falta de estímulo e apoio às atividades culturais.
O cineastra ressalta a importância do cinema não como um instrumento de lazer, e sim como uma ferramenta para o crescimento social, intelectual e humano. "Eu acredito que o cinema seja reflexão, como o teatro também tem o seu papel de politização, e a cima de tudo, de verticalização da visão e da ótica do espectador". Além disso, Eusélio reforça o comprometimento do artista com a sociedade. "O processo cultural não é aventura, não é exibicionismo pessoal. É um compromisso com nossa realidade, com nosso povo e com as nossas mais sentidas aspirações".
Eusélio Oliveira foi assassinado aos 58 anos com dois tiros pelo Sargento Reformado da Marinha Luís Rufino após uma discussão. O sargento também baleou com um tiro seu filho Eusélio Gadelha Oliveira, na época com 21 anos, que ficou com problema circulatório.
Ouça aqui o programa completo: